É uma subida dramática e inédita no número de vítimas mortais e casos registados desde o início do surto na província de Hubei. As autoridades de saúde locais explicam que estes números elevados surgem devido a uma “definição mais ampla” da infecção, com mudanças nomeadamente na forma de diagnóstico. Na quarta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha mencionado que o número de infecções na China estava a estabilizar, mas que era ainda cedo demais para apurar se a epidemia estaria a abrandar.
Mas se antes o número de casos e vítimas mortais era calculado tendo em conta apenas os casos confirmados com os kits de diagnóstico, com os testes padrão de ácido ribonucleico (RNA), agora passa a ser suficiente um diagnóstico do vírus através de uma tomografia computadorizada (TAC) aos pulmões. Estes casos “clinicamente diagnosticados”, que são confirmados apenas por tomografia computadorizada, não constavam em contabilizações anteriores.
Das 242 mortes registadas em Wuhan, 135 foram contabilizadas segundo a nova metodologia. Em relação aos novos casos, dos 18.840 que foram registados nas últimas horas, 13.332 foram diagnosticados segundo os novos critérios. A Comissão Provincial de Saúde de Hubei explicou que as mudanças ao nível de diagnóstico vão permitir um tratamento mais rápido. Mas a nova metodologia poderá também por em causa a credibilidade dos números apresentados ao longo das últimas semanas e amplificar as críticas que estão a ser apontadas à China.
O país tem sido acusado de limitar informações e esconder a dimensão completa do surto, sobretudo após a morte de um médico oftalmologista que denunciou o início da epidemia, o que lhe valeu uma repreensão da polícia.
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