De tão nocivos aos pulmões, receberam o apelido de estoura-peito. Deixaram as fábricas do Paraguai e se misturaram como clandestinos na paisagem urbana das principais cidades do Nordeste brasileiro, onde encontraram uma terra para lá de hospitaleira.
Nos fiteiros, barracas ou tabuleiros do comércio popular, difícil é não achar um maço contrabandeado à espera de um fumante. O portal OP9, empresa do Sistema Opinião de Comunicação, inicia nesta terça-feira (11) a série de três reportagens Quadrilha da Fumaça, que busca dissecar essa cadeia internacional encoberta por uma névoa de ilegalidade, omissão das autoridades e, claro, sérios riscos à saúde de quem fuma ou inala a fumaça tóxica.
Uma radiografia do comércio da nicotina pirata em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte revela dados assustadores: 4 bilhões de unidades foram consumidas somente em 2017, deixando pra trás um prejuízo de R$ 500 milhões em forma de evasão fiscal. Os números do mercado ilegal só crescem: em Alagoas, o volume da nicotina “genérica” nas ruas aumentou 222% nos últimos três anos, enquanto Pernambuco inflou a presença desses produtos em 149%.
Marcas desconhecidas, com embalagem em espanhol e sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atravessam ilegalmente a fronteira do país vizinho com o Mato Grosso do Sul. Em território brasileiro percorrem longas distâncias escondidos em caminhões para fisgar os bolsos nordestinos com um preço atraente.
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